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terça-feira, 30 de novembro de 2010

2. Mídia e Racismo


O Brasil é um país que se orgulha de suas morenas e mulatas, chega a exportar mulatas de corpo escultural e de muito samba no pé. Olhando por esse prisma não imaginamos um país racista e preconceituoso, mas isso só aparência. Vivemos num contexto que o capitalismo capturou nosso imaginário social converteu-o em lógica de negócio e mercado, e a mídia entendeu a lição e levou ao pé da letra.
                Perguntar a um brasileiro se ele é racista, é ofensivo, ninguém admite ser racista é preconceituoso ser. Muitas vezes o racismo é colocado na mídia de forma tão sútil, que a situação se inverte e o racista acaba sendo o próprio negro. Após o Brasil passar por uma fase de transição para democracia não percebemos vontade política para realizar ações de mudanças nesse sentido. A mídia está cada vez mais subliminar, não tem uma visão antropológica, ou seja, não respeita as diferenças regionais cultural do país e sobrecarrega a população com conteúdos racista e machista. Se curva para poucos detentores dos meios de comunicação de massa, que por sua vez são brancos.
            Ao analisar programas como, jornal e novelas da Globo é fácil lembrar-se de um repórter negro, Heraldo Pereira e sabe por que? Ele é o único. A novela Passione inovou, colocou um negro no papel de um executivo bem sucedido de uma grande empresa, ao seu lado outros executivos bem sucedidos estão na trama, todos com família, menos o negro que está solto, sem mãe ou filhos, sem origens. Há movimentos sociais em direitos das mulheres, gays, índios, mas quando surge uma reivindicação em políticas públicas e para a educação das relações étnico-raciais a elite e movimentos sociais brancos se recusam a combater o racismo e seus derivados. A mídia divulga pouquíssimas as vitórias desses movimentos. O dia da Consciência Negra, e a lei 10639 que decreta o ensino de história da África e da cultura afro brasileira, são pequenas vitórias alcançadas. O PNBE/2010, estabelecido pelo MEC/FNDE, como objetivo a “Observância de princípios éticos necessários à construção da cidadania e ao convívio social republicano”, e conforme anexo III do referido edital, que “Serão excluídas as obras que: 1.3.1. veicularem estereótipos e preconceitos de condição social, regional, étnico- racial, de gênero, de orientação sexual, de idade”. Estaria tudo certo não fosse à aprovação do MEC para distribuição da literatura de Monteiro Lobato “Caçadas de Pedrinho”, publicado no ano de 1933, que difunde uma visão destorcida sobre o negro e o universo africano, apresentando personagens negras, pouco inteligentes, até mesmo comparando-as com animais.
                O racismo é chamado de “cordial” porque dificilmente fere abertamente e foi definido assim pela própria mídia, seus textos ambíguos deixam em dúvidas se os negros estão sendo vítimas ou não do racismo. Nosso país trata a maioria como minoria, e permite que eles sejam chamados de complexados.
O primeiro passo para nos orgulharmos de nossos negros, são nossas raízes, é assumindo que realmente há preconceito e racismo em nosso país que conseguiremos solucionar o problema. Um diálogo franco e aberto nas escolas, universidades, nas políticas sociais, nos movimentos sociais, acarretará maturidade para aceitar o que somos e fazermos as mudanças. Diálogo é fundamental, num futuro próximo teremos o os primeiros formandos negros que participaram do sistema de cotas das universidades, essa e outras vitórias é que farão cidadãos livres de preconceitos e de racismo, livre de violência. A educação só ocorrerá quando entendermos que existe interdependência entre os seres humanos e que é necessária a troca de conhecimento.

simsenhoras.blogspot.com/.../racismo-na-mdia.html

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