Páginas

terça-feira, 30 de novembro de 2010

4. Mídia e Ideologia Política



             Os meios de comunicação em massa, principalmente a televisão e rádio, alcançam povos longínquos, por isso são os meios mais utilizados. Para que se possa instalar um canal de TV ou rádio é preciso uma autorização do Estado (concessão pública), porque o caminho por onde a mensagem será levada é através das ondas sonoras, ou seja, o ar que é patrimônio público. Com essa tecnologia os movimentos sociais se organizaram e ganharam forças, o que era feito em reuniões em praças públicas, agora seria mostrado ao país dando ânimo e vontade de maiores participações nas decisões em nosso país. A chegada da internet revolucionou os movimentos sociais, que agora podem ser feitos sem sair de casa.
            Para garantir o direito de expressão e a liberdade, algumas regras para a concessão foram estabelecidas: Não será concedida a políticos, não poderá ter mais que 5canais em todo país, limitar a 25% a programação publicitária e reservar 5% da programação para área jornalística. No Brasil essas leis não são cumpridas, 40% das concessões são dadas a empresas privadas que só visam os lucros, 25% dos senadores e 10% dos deputados de nosso país são donos das concessões de rádio e Tv, e a publicidade já esta chegando 100% da programação. Esse monopólio está nas mãos de alguns empresários que são os que decidem o que a população deve saber o que vai interessar o que vai entender e como entender.
            De acordo com a pesquisa realizada pela revista Sem Fronteiras, uma pessoa fica em média três horas e meia por dia assistindo televisão ou ouvindo rádio. Ao chegar em casa o trabalhador quer entretenimento, distração e ao assistir telejornais, novelas, reality shows, ele não se dá conta de um problema gravíssimo, a disfunção narcotizante a qual ele sofre. O indivíduo é bombardeado pelos meios de comunicação com muitas mensagens e as mais variadas, o fato de conhecer os problemas não significa que irão atuar sobre eles. A consciência social fica inalterada, é mero conhecimento passivo, por isso, os jovens passam por problemas não por falta conhecimento, mas por excesso. Um exemplo é a de gravidez precoce, mesmo recebendo tantas informações e orientações a superexposição não deixa espaço para questionamentos e onde não existe questionamento não há liberdade de escolha. É por aí que a mídia faz valer seu melhor artifício a manipulação da realidade dos fatos. Um exemplo de manipulação e distorção dos fatos ocorreu em 1982, pela TV Globo na transmissão de resultados eleitorais adulterados, por um programa de computador para subtrair os votos do candidato Leonel Brizola. Um dia depois a verdade foi revelada porque o Jornal do Brasil fez uma contagem paralela, nas juntas eleitorais (KUCINSKI, 1998). Hoje não é diferente, somos manipulados o tempo todo e manipulamos também, queremos ser aceitos, ouvidos, questionados.
                A manipulação faz parte da vida em sociedade, o marido com a esposa, o filho com a mãe, o aluno com o professor, o trabalhador com o patrão, e vise e versa. A manipulação não pode sequestrar a necessidade que o ser uma tem pensar, agir, conforme sua consciência. Não pode coagir o cidadão a aceitar uma ideologia imposta, no padrão estético, nos valores, no conjunto de ideias que se tem sobre o mundo que é imposto por alguns.
                Todos têm o direito à comunicação de forma consciente e o governo tem leis que nos garantem esse direito, é preciso cobrar das autoridades que essas leis sejam exercidas. Comunicação é democracia e um direito adquirido, só temos que buscá-la.


Nenhum comentário:

Postar um comentário