A sociedade, apoiada pelos publicitários, se torna plástica, moldável ao sistema capitalista e vem se transformando ao longo dos anos no que poucos visualizam como futuro. Todos os esforços em defesa da dignidade feminina são derrubados pela glorificação do corpo transformando-a em objeto.
O corpo feminino é explorado pela mídia e utiliza excessivamente a imagem feminina em posições, movimentos e ações sensuais, chegando a vulgarizar a figura da mulher. A preocupação dos publicitários em informar a qualidade dos produtos ficou em segundo plano. Um exemplo é o caso das cervejarias que se vêm utilizando de mulheres com corpos esculturais, e nos textos de palavras ambíguas, tornando clara a desvalorização da mulher. Essa desvalorização se torna evidente no surgimento das mulheres-frutas, nas letras de música, em que é comparada com animais.
A mulher passa por uma imposição de beleza criada pela sociedade, que as torna objetos de consumo e cria uma padronização de beleza gerando uma supervalorização. Essa supervalorização associada a algum produto já é natural, e não há questionamento ao ver mulheres maravilhosas ao lado de carros, cervejas, roupas, etc. Para o publicitário é comum e normal, já que seu trabalho é criar necessidades e transformar a necessidade em fetiche. Para Freud, em sua obra “A Psicopatologia da Vida Cotidiana”, é a substituição de um desejo sexual pelo objeto associado a esse desejo, para Marx é definido como necessidade criada pelo capitalismo. Essa necessidade desencadeou uma mercantilização do corpo da mulher, com duas faces: A busca para alcançar o padrão de beleza ideal, que estimula o consumo de produtos, academias, clínicas de estéticas, alimentos e remédios emagrecedores e do outro lado é expresso na forma mais agressiva no tráfico de mulheres. Segundo a OIT (Organização Internacional do Trabalho), o tráfico internacional de mulheres movimenta US$ 32 bilhões por ano e escraviza um milhão de mulheres para atividades sexuais, principalmente em países da Europa como Espanha, Holanda, Itália, Suíça, Alemanha e França.
Hoje há uma preocupação entre os neurologistas e psicólogos sobre as consequências do processo da reificação que são destrutivas a sociedade: mulheres depressivas, com problemas comportamentais, se tornam mercadorias, sem mencionar a desestruturação da família, distorção da verdadeira masculinidade e feminilidade, etc. Produtos novos são lançados diariamente, confirmando o aumento do consumismo e fazendo com que cada vez mais consumidoras troquem seu suado dinheiro por algo dispensável e descartável.
É preciso uma conscientização, e autodisciplina. A mulher precisa saber o que é útil e o que é fútil. Manter certa distância da mídia para que possa visualizar todo o contexto e se libertar da cegueira a qual está envolvida. De acordo com o livro “Na sociedade do consumo passear em shopping ou comprar uma roupa nova não é pecado.” - Mas a atitude de Sócrates pode ajudar muito nesses momentos. O pai da filosofia gostava de passear pelas ruas comerciais de Atenas. Assediado por vendedores, respondia: “Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz”.
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O universitário na sociedade de consume/Allan Novaes e Martin Kunh (orgs). – Engenheiro Coelho, SP: Unaspress – Imprensa Universitária Adventista, 2010.

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